01/05/2026

Por Lília Tavares ( a Maria Teresa Horta )

 Que tumulto é este, que inquietude salta

dos corações das mulheres que agitam as palavras?
Trespassam desertos onde se descaminham. Insubmissas,
sonhadoras e aladas, golpeiam-se para sentir
a dor inalcançável. Às noites acrescentam horas
na ilusão imprecisa dos líquidos caudais.
Os seus gritos são vigorosos
como o galope de cavalos, tantos.
Amam como se batessem asas de pétalas e pulsassem
em bailados de um feitiço antigo como o tempo.
Cobrem de véus o rosto e ocultam a fragilidade
das flores com que, fantasiadas, se vestem.
Estranham-se quando acordam, dadas ao esquecimento
dos seus voos. Como penélope tecem e desmancham panos
e alongam a incompletude desejada.
Labutam na escrita pedra a pedra
como quem ergue com urgência fortalezas, não muralhas.
Um poema é o fio que ariadne deixou inconcluso
em suas mãos porque de essências sem fim se alimentam.