01/05/2026

O AVESSO DOS OLHOS ( Lília Tavares ) A Luís Miguel Nava in memoriam

 A janela da noite abre-se aos sonhos

com desejos de manhã e não de morte.
Um poema traz consigo um colar de vieiras
como nas lendas nocturnas.
O poeta entra no espelho
como quem entra em si.
Estagna, retrocede, chora
e abriga-se dos temores.
Emudece e pousa na moldura
o que lhe sobrou do adolescente rosto.
O caos corre como água
no avesso dos seus olhos.
As aves que lhe saem pelo coração.