A janela da noite abre-se aos sonhos
com desejos de manhã e não de morte.
Um poema traz consigo um colar de vieiras
como nas lendas nocturnas.
O poeta entra no espelho
como quem entra em si.
Estagna, retrocede, chora
e abriga-se dos temores.
Emudece e pousa na moldura
o que lhe sobrou do adolescente rosto.
O caos corre como água
no avesso dos seus olhos.
