Ela desce oblíqua
Beijando teu útero
Onde renasce uma nova sinfonia,
Terra ferida na ferocidade do estio
Deturpação de cérebros ocos
Gestos alienados.
Elas, as primeiras chuvas de Outono
Devolvem-te as mãos que acariciam,
As mãos que salvam!
Envolvem-se no solo declarando seu pacto de paixão.
Saúdam-te com voos de gaivota em debandada,
Silêncios rasgando alvoradas em cadências de batuque
Esse deslumbramento que faz vibrar teus seios
Florescendo gotículas de verde azul mar
Cristais sobre o rosto
Acariciando todo o teu corpo desnudado.
Chuvas!
Renovação de vida sem que Afrodite
Se arrelie.
Esta celebração com odor a terra molhada
Onde apetece ser Amor em ti
Sublimação das esferas
Dentro dos teus braços.