Vem…
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
17/09/2023
DEDOS DO SILÊNCIO ( Rosy Feros )
INTERLÚDIO ( Beatriz Caldas )
Seus sons ainda provocam
Abalos sísmicos
É PERMITIDO PERDER - SE ( Gabriela Augusto )
em ruínas,
A UMA TELA DE DISTÂNCIA ( Penha Souza )
eu quero ver teu corpo
sem filtros, sem aplicativos
pegar
te entregar amor
de forma remota
você.
CANTO DE PÁSSARO ( Valentina Maciel )
foi bem-te-vi, passarinho assim
ternura é coisa que se faz com a boca.
CHAMAMENTO ARISCO ( Valentina Maciel )
queria que começasse bem junto ao meu lado
DE VOLTA AO CORAÇÃO ( Chris Ritchie )
ciclos
MIRAGEM ( Deni Maliska )
E fê me ro
SUBLIME III ( Deni Maliska )
contemplação, meu tesão
SUBLIME II ( Deni Maliska )
Se me encanto
SUBLIME I ( Deni Maliska )
Eu só queria dormir acordada
FRÍGIDA ( Cesário Verde )

I
Balzac é meu rival, minha senhora inglesa!
Eu quero-a porque odeio as carnações redondas!
Mas ele eternizou-lhe a singular beleza
E eu turbo-me ao deter seus olhos cor das ondas.
II
Admiro-a. A sua longa e plácida estatura
Expõe a majestade austera dos invernos.
Não cora no seu todo a tímida candura;
Dançam a paz dos céus e o assombro dos infernos.
III
Eu vejo-a caminhar, fleumática, irritante,
Numa das mãos franzindo um lençol de cambraia!
Ninguém me prende assim, fúnebre, extravagante,
Quando arregaça e ondula a preguiçosa saia!
IV
Ouso esperar, talvez, que o seu amor me acoite,
Mas nunca a fitarei duma maneira franca;
Traz o esplendor do Dia e a palidez da Noite,
É, como o Sol, dourada, e, como a Lua, branca!
V
Pudesse-me eu prostar, num meditado impulso,
Ó gélida mulher bizarramente estranha,
E trêmulo depor os lábios no seu pulso,
Entre a macia luva e o punho de bretanha!
VI
Cintila ao seu rosto a lucidez das jóias.
Ao encarar consigo a fantasia pasma;
Pausadamente lembra o silvo das jibóias
E a marcha demorada e muda dum fantasma.
VII
Metálica visão que Charles Baudelaire
Sonhou e pressentiu nos seus delírios mornos,
Permita que eu lhe adule a distinção que fere,
As curvas da magreza e o lustre dos adornos!
VIII
Desliza como um astro, um astro que declina,
Tão descansada e firme é que me desvaria,
E tem a lentidão duma corveta fina
Que nobremente vá num mar de calmaria.
IX
Não me imagine um doido. Eu vivo como um monge,
No bosque das ficções, ó grande flor do Norte!
E, ao persegui-la, penso acompanhar de longe
O sossegado espectro angélico da Morte!
X
O seu vagar oculta uma elasticidade
Que deve dar um gosto amargo e deleitoso,
E a sua glacial impassibilidade
Exalta o meu desejo e irrita o meu nervoso.
XI
Porém, não arderei aos seus contactos frios,
E não me enroscará nos serpentinos braços:
Receio suportar febrões e calafrios;
Adoro no seu corpo os movimentos lassos.
XII
E se uma vez me abrisse o colo transparente,
E me osculasse, enfim, flexível e submissa,
Eu julgara ouvir alguém, agudamente,
Nas trevas, a cortar pedaços de cortiça!










