antes chegava sem jeito
pedia licença sentava-se
só depois de algum tempo
ficava nu
agora já vem sem roupa
come o que vê pela frente
(cru e cozido)
não agradece
nem paga
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
antes chegava sem jeito
pedia licença sentava-se
só depois de algum tempo
ficava nu
agora já vem sem roupa
come o que vê pela frente
(cru e cozido)
não agradece
nem paga
o amor é puta que pariu
sem nenhuma palavra bela
era assim quando
me abrias as pernas
para cuspir melancolias
Viva, mulher!
De frente ao espelho
Apalpe o seu seio
Direito e esquerdo
Sorria
Viver é preciso
E quanto mais cedo
Melhor
Não esqueça essa lágrima
Mas passe um batom
De que gosta.
Hoje eu visto saia
Para que toda libido me saia.
A saia e só
me solta
Sem combinação.
Em livre sinestesia
posso misturar
vermelho e fúcsia
e voar ao vento
onde nem cor
nem corrimento
vão me prender de pedalar até
O suor escorrer
da ponta do nariz
para a coxa
ainda moça
que desliza
ao sabor do selim
sem fim
do meu roliço
e tenso biciclo
Firme tripé em pé.
É duro!
É.
Mas ai de mim
que gosto dele assim.
pela terceira vez amou
(se contasse a paixão pelo
professor de matemática
aos doze seria a quarta)
tatuou do lado esquerdo
do ombro bem abaixo
do esterno, em gótico
o nome do amor
amou pela quarta vez
(ou seria quinta?)
tatuou um gato preto
sobre o nome do amor
com gatos o lance é outro
amor eterno é para cães
deitou tanto tempo
depois da menarca
que a flor de cheiro
abriu o bico
óleo de rícino, costura
cozinha e o rame-rame
atritava em demasia
pediu ajuda, manteiga,
vaselina, pediu ao Pero
paciência, calmaria
até que um dia
atrás da horta
fez a descoberta
esfregou-se no caule
do pajé e a gruta
melou mais que manga
na boca da normalista
ninguém ainda nos esclareceu
Ai plenitude de mim rasgada
Hoje e amanhã
Eu sou o fruto do teu pecado.
Pimenta rubra de minha alma ardente...
São os lábios, as suas letras
Impreparado ainda
Dou-te um nome de água
Aproximo a boca de um pequeno vulcão
O amor em seu próprio corpo
Me deixa em paz.
Equilibrando-se no abismo
Há frestas por onde o sangue aflora