Mãe, nunca te vi de cabelos brancos,
nem a tristeza do rosto que subia aos lábios
quando me incitavas a ler para ti
o cântico dos cânticos, como se fora um conto de fadas.
A tua solidão não conhecia as letras
nem a tua estrela ocultava a pureza das coisas.
Só salomão tinha escrito trovas à sensual sulamita.
Dela cantou os seios como cachos de uvas, os beijos,
a cintura, os cabelos, a pele suavizada por óleos.
Mãe, há muito que o leito era só teu,
ignorada na nudez, não te viram a dor,
a brancura das mãos, o sonho, o vento.