"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
14/09/2024
ESPELHO ( Sylvia Plath ) (Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício A. Mendonça)
SONETO DO SONO ( Ruy Espinheira Filho )
OLHANDO AS ILHAS ( Ledusha B. A. Spinardi )
CENA ÍNTIMA ( Ledusha B. A. Spinardi )
ENSINAMENTO ( Adélia Prado )
O CORPO AMOROSO DO DESERTO ( Micheliny Verunschk )
12/09/2024
CONTOS DO JARDIM ( Sofia Lopes )
Já ouvimos esta história
Mil vezes, não ouvimos?
Desponto de teu peito,
Límpida e desnuda
Para alentar tua fome
E aquecer teu frio
Mas os relatos subtraem
O momento em que desabrocho
E, sempre insensato, rompes
Uma costela — precisa, aguda
Para cravá-la em meu dorso
E tingir-me a tez de rubro
(Então jazemos, enredados, mão
Ao pescoço, dentes à pele,
Solo envolto em carmesim
Onde se desfazem os fios
De minha carne —
Logo, sucumbo)
Mas os deuses, sempre ímpios,
Ainda assim me desterram;
Então, deixo os campos
Empíreos — só, à deriva
Para descingir nossos laços
E me livrar de tuas garras
E minhas veias cantam, em tumulto
E alívio, cada vez que percorro
As ruas, pena e espada em punho
E gentil furor em meu seio
Para te lavar de minhas mãos
E te expulsar do meu ventre.
08/09/2024
RIOS ( Viviane Mosé )
BRASIL ( Eliane Potiguara )
Que faço com minha cara de índia?
Brasil, o que faço com minha cara de índia?
ESCADA ( Carlos Drummond de Andrade )
Na curva desta escada nos amamos,
OUTONO ( Florbela Espanca )
Outono vem em fulvas claridades.
SEM PALAVRAS ( Florbela Espanca ) in "A Mensageira das Violetas"
Brancas, suaves, doces mãos de irmã
O NOSSO MUNDO ( Florbela Espanca )
Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
AO VENTO ( Florbela Espanca )
O vento passa a rir, torna a passar,
06/09/2024
QUERO ACORDAR - TE ( Lília Tavares )
Quero acordar-te
05/09/2024
PELE QUE HABITO ( Lubi Prates )
minha pele é meu quarto.
INTIMIDADE ( Márcia Maia )
se tocar um blues
03/09/2024
sobre uma foto no huffington post, em 01 de novembro de 2015 (Adelaide Ivánova )
de que adianta esse pôster de madonna na
PRAIA DO PARAÍSO ( David Mourão-Ferreira )
Era a primeira
Vez que nus os nossos corpos
Apesar da penumbra à vontade se olhavam
Surpresos de saber que tinham tantos olhos
Que podiam ser luz de tantos candelabros
Era a primeira vez cerrados os estores
Só o rumor do mar permanecera em casa
E sabias a sal, e cheiravas a limos
Que tivesses ouvido o canto das cigarras
Havia mais que céu no céu do teu sorriso
Madrugada de tudo em tudo que sonhavas
Em teus braços tocar era tocar os ramos
Que estremecem ao sol desde que o mundo é mundo
É preciso afinal chegar aos cinquenta anos
Para se ver que aos vinte é que se teve tudo.
NOSTALGIA DE SETEMBRO ( Nuno Júdice )
Quando vinham as nuvens de setembro, já
FOTOGRAFIA ( Nuno Júdice )
Naquilo a que o jornal chama um nu sulfuroso de
















