Eu canto porque o instante existe
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
16/03/2025
MOTIVO ( Cecília Meireles )
15/03/2025
A EDUCAÇÃO PELA PEDRA (João Cabral de Melo Neto)
Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, frequentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse, não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.
MORDO - TE COMO QUEM TE AFAGAS ( Célia Moura )
Mordo-te como quem te afaga
12/03/2025
ABSTENHO - ME DE TUA BOCA ( Célia Moura )
Abstenho-me de tua boca,
UMA COLCHA DE LINHO ( Célia Moura )
Jaz uma colcha de linho no passado
09/03/2025
CONHEÇO - TE ( Soledade Martinho Costa )
Apetecia-me dizer-te
07/03/2025
A UMA PASSANTE (Charles Baudelaire)trad.: Fernando Pinto do Amaral
05/03/2025
VERMELHO ( Déborah de Paula Souza ) in Vermelho Vivo; Laranja Original, São Paulo, 2021
o sol
NÃO CONHECES TEU CORPO ( Neide Archanjo ) In Todas as Horas e Antes – Poesia Reunida A Girafa, São Paulo, 2004
Não conhecer teu corpo
ATRÁS DA CURVA ( Neide Archanjo ) In Todas as Horas e Antes – Poesia Reunida A Girafa, São Paulo, 2004
Atrás da curva dos teus ombros
QUANDO ACORDEI ( Neide Archanjo ) In Todas as Horas e Antes – Poesia Reunida A Girafa, São Paulo, 2004
Quando acordei a manhã já ia alta.
XXX ( Hilda Hilst ) In Da Morte. Odes Mínimas Ed. Globo, São Paulo, 2003.
XIX ( Hilda Hilst ) In Da Morte. Odes Mínimas Ed. Globo, São Paulo, 2003.
Se eu soubesse
PRA QUE SEJAMOS NECESSÁRIOS ( Bruna Lombardi )
Transfere de ti pra mim essa dor
I ( Hilda Hilst, in Júbilo Memória Noviciado da Paixão 1974 )
Se for possível, manda-me dizer:
SERÁ QUE VOCÊ PENSOU QUE EU FOSSE UMA CIDADE ( Rupi Kaur ) in Outros Jeitos de Usar a Boca
será que você pensou que eu fosse uma cidade
A MULHER QUE VEM DEPOIS DE MIM ( Rupi Kaur ) in Outros Jeitos de Usar a Boca
a mulher que vem depois de mim vai ser uma versão
O PRIMEIRO MENINO QUE ME BEIJOU ( Rupi Kaur )
o primeiro menino que me beijou
SONETO DO CANTO ( Ana Lucia Ometto )
Bolo de fubá, café coado
CABELOS ( António Ramos Rosa )
Cabelos são os teus cabelos as tuas mãos
23 ( Armando Freitas Filho )
Escrever é riscar o fósforo
e sob seu pequeno clarãodar asas ao ar — distância, destinosegurando a chama contraa desatenção do vento, mantendoa luz acesa, mesmo que o pensamentopisque, até que os dedos se queimem.
GUARDAR ( Antonio Cícero )
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
CORPO ( Armando Freitas Filho )in De Palavra, 1963
Acrobata enredado
em clausura de pelesem nenhuma rupturapara onde me levasua estrutura?Doce máquinacom engrenagem de músculossuspiro e rangidoo espaço devoraseu movimento(braços e pernassem explosão)Engenho de febresono e lembrançaque armae desarma minha morte
RECOMPONHA - SE ( Heba Abu Nada )
Oh como estamos sozinhos!


















