Ela põe um beijo fálico
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
25/05/2025
SINFONIA IMAGINÁRIA ( Anna Apolinário )
A PAZ É MULHER ( Sore Snid )
A Paz é mulher que respira
e essa inalação guarda o ar que nos contém.
OS OLHOS ( Sore Snid )
Pensamento aborígene
IMOLAÇÃO DA PELE ( Sore Snid )
Deixa-me descansar em ti em teu olhar
Quero que descubras o céu dos caídos
OFERENDA ( Laura Victoria )tradução de Floriano Martins
No mutismo da noite cúmplice
DESEJO ( Laura Victoria )tradução de Floriano Martins
Na areia quente da praia
ÍNTIMA ( Laura Victoria )tradução de Floriano Martins
A pelúcia das sombras era tão quente,
IV ( Pietro Nardella-Dell’ova )
A delicadeza dos seres
que se olham e se buscam,
e a carícia que se faz no virar
do rosto na aprovação,
e o sorriso de contentamento,
é a poesia não escrita,
é o essencial e bastante
para que os seres vivam
uma vida viva
e cheia de cores,
a vida nua e sem formas
que não se faz na aparência
de coisas imóveis,
mas, no aparecer do corpo
nas formas vivas
III ( Pietro Nardella-Dell'ova )
Que lábios!
os seus lábios tenros
voltados para fora de si, à poesia,
cheios do langor feminino, a doçura,
mais lindos parecem a cada dia
no vermelho, e no rosa, e na procura
do afago íntimo do beijo pleno
e do murmúrio despretensioso que jorra
em cada sorriso que se faz sereno,
em cada desejo que nesses lábios mora.
IDENTIDADE ( Ana Poesia )
O espelho não me refletia
Mas as colheres prateadas me viam
Eu enxergava mais do que devia
Sabia que as paredes me assistiam
Meus braços percorriam o gesso poroso
Eu me deitava no chão gelado
E o teto me olhava choroso
Porque não podia sair dali
Ninguém entendia o que eu possuía
Apenas o ar que sussurrava em meu ouvido
Só que na hora da birra, nem ele me queria
São tantas coisas que poderiam ter sido
Mas não foram
As fantasias em que eu fugia
Fugiram de mim
E eu entendi que só poderia ser assim
Eu fui castigado em um cantinho da escada
E se eu não caísse, eu seria amado
Caso contrário, eu seria punido
E na minha boca, uma fita seria colocada
O mal estava feito
O espelho sem reflexo se quebrou
E pouco a pouco, no meu corpo se infiltrou
Agora sou aceito
Mas as colheres custam me ver
Sob meu corpo ferido se instalou saudade
Do que era para eu ser
Do que era a minha identidade
RACHADURAS ( Isabella Ingra )
a pessoa pode
embelezar as próprias rachaduras
no lugar de esconder cada fissura
contornar com ouro o lugar que foi fissurado
e na ausência de ouro, um bordado.
sentada, num hotel belérrimo, observando o teto
as marcas de mofo e rachaduras que penetram a beleza
lutam para serem visíveis
apesar de toda obra de retoque.
isso explica porque as
cicatrizes me caem no charme
isso explica a beleza dos machucados
dos entrebelos
nāo se trata de dar romance às marcas
nem todo romance é belo
se trata tanto
de dar contorno.
FIZ DO MEU CADERNO, SUA PELE ( Isabella Ingra )
preencho os espaços dessas linhas com palavras
como se pudesse, num imaginário tão real, preencher seu corpo com meu corpo.
meu corpo: palavras
sua pele: linhas, longitudes.
meu corpo: sua casa
sua pele: meu quarto
meu corpo: palavras
sua pele: linhas, longitudes
meu corpo: um mapa
sua pele: uma bússola antiga
meu corpo: travessia
sua pele: pedestres dançantes
meu corpo: lágrimas matinais
sua pele: sorriso antes do almoço
meu corpo: pelugem
sua pele: rotação da terra
meu corpo: caneta vermelha
sua pele: tatuagem que percorro
meu corpo: cenário que te apresento
sua pele: a peça
meu corpo: silêncio
sua pele: uma festa que tento penetrar
24/05/2025
REALEJO ( Cecília Meireles )
Minha vida bela,
23/05/2025
QUANDO R GOZA ( Adriana Graciano )
Quando R goza
Meu coração quase se esquece de como bater
Antes de reaprender aquela batida que sempre conheceu mas julgava perdida
Meus olhos (abertos ou não) vêem em cores que só conheço em sonho
Meus ouvidos e sentidos se comportam com a reverência e entrega
De quem ouve uma sinfonia amada pela milésima inédita vez
Quando R goza
Minha primavera eclode
E morro minha pequena morte
SANGUE ( Adriana Graciano )
FRIO ( Adriana Graciano )
F ogo mudando a cor e a textura dos meus lençóis
R eencontro atemporal, reentrâncias redescobertas
I nexplicavelmente familiares, intensamente sentidos
O inverno reescrito: verão quando você está em mim
OS CINCO SABORES ( Adriana Graciano )
Primeiro gosto de tocá-lo com os olhos
Depois cheiro suas intenções
Leio seus sonhos
Como seu sexo
Ouço seu cheiro
Vejo sua fome
Danço sua febre
Bebo seu calor
Devoro seus pudores
Degusto seu (de)leite
Escrevo sua cor
Pinto seu gosto
Mas, sereia que sou,
Só canto para quem me cavalga (os mares)
22/05/2025
REALIDADE ( Isabel Sá ) in “Erosão de Sentimentos”
Por causa de um livro
20/05/2025
O BELO OLHAR DA NUDEZ ( Lucas Munhoz )
Nua, gosto de ver-te o bom desejo.
A DOCE MENINA DELICADA ( Lucas Munhoz )
Dos teus olhares. Ó nudez que me sentes!
SONETINHO À DOCE MENINA (Borboleta) ( Lucas Munhoz )
Ver amar o amor a amar-me;
SONETO À DOCE MENINA (Pimentinha) ( Lucas Munhoz )
Dar-me tesão vence a mudez, Amor!
OS SEIOS DA MULHER ( Lucas Munhoz )
Morde-lhe os bicos à donzela sem dor.










