És, em teus dias tu mesma,
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
18/06/2025
BÁRBARA, BÁRBARA ( Florisvaldo Mattos )
A MOÇA FERRADA ( Carlos Drummond de Andrade ) in Esquecer para Lembrar; Boitempo - III, 1979
Falam tanto dessa moça. Ninguém viu,
TUDO O QUE ME RESTA ( Mariana Botelho )
tudo o que me resta é dizer de um corpo que chora à margem de
OLHOS NEGROS ( Almeida Garrett )
Por teus olhos negros, negros
17/06/2025
FLORES QUE NASCEM DOS TEUS LÁBIOS ( Nuno Júdice )
Olho os teus olhos fechados,
ouço a tua respiração breve.
E sei que sabes que te vejo,
como tu sabes que eu o sei.
Admiro, meu amor, o teu sonho.
Levas-me para fora da cidade,
às estradas ermas dos arredores,
onde voo sobre o teu corpo.
E um outro nos aparece:
ramos são os teus braços;
flores, as que nascem dos teus lábios;
corre um rio no vale entre os seios.
E volto a ser um camponês,
trabalhando a terra que me dás.
ALEGORIA FLORAL ( Nuno Júdice )
Um dia em que a mulher nasça do caule da roseira
A TUA MÃO ( Nuno Júdice, in O Estado Dos Campos )
Tiro a mão que me esconde o triângulo,
Casimiro de Brito, in Amar A Vida Inteira
Quem toca na espuma
CASIMIRO DE BRITO, in Opus Affeituoso, 1997
Entro no teu corpo árvore
16/06/2025
PRENDA ( Alê Magalhães )
talvez alguém me prenda
por causa deste decreto-poema
talvez alguma mulher
ainda a prenda da casa
na poesia por decreto
eu decreto
não passarei mais roupa
nem passarei mais pano
quantos livros poderiam ser lidos
enquanto engomavam camisas?
quantos poemas poderiam ser escritos
enquanto passavam vestidos?
quanta literatura foi gasta
em roupas bem passadas?
talvez me prendam
os olhos julgadores
das regras impostas
na amurada noturna
quando ainda não sabíamos que
não
não era amor
era trabalho não remunerado
25 DE ABRIL É CARNE VIVA ( Sara F. Costa )
rasgou-se a parede com as unhas.
e não foi bonito.
CATEDRAL AO NÍVEL DO CHÃO ( Sara F. Costa )
o quarto arde em silêncio:
Por Sara F. Costa
Dizem que escrevo como um homem.
15/06/2025
TERNURA ( Adalgisa Nery )
Antes que eu me transforme em água
POEMA DE AMOR ( Adalgisa Nery )
Ouve-me com teus olhos
CASARÕES ( Bruna Beber )
o coração é o povoado da memória;
aparentado com o fígado é o sentimento:
a indignação ocupa o estômago
mas o desejo faz do pulmão um pomar.
a cabeça é inquilina
ou proprietária do corpo,
e quem morre primeiro?
BARRAGEM ( Bruna Beber )
deve ser perigoso
A VIOLÊNCIA ( Bruna Beber )
vontade constante
ORIGEM ( Anilda Leão )
Quando a noite desce sobre a terra,
PROMESSAS ( Anilda Leão )
Eu farei do meu corpo
BONUM DIFFUSIVUM SUI ( Júlia Peccini )
dêdiprosa
é o transpassar
que você executa
fere
pulsa
e eu chamo pelo
ar que me
transborda incerteza
destas palavras não
tão soltas da minha
cabeça
cadeia
o toque e a costura
se agridem
as soluções verbais me
procuram
escalam as escadas
insistem
penetram
decifram o bem
que se difunde por si
mesmo do meu
não corpo
enciclopédico
é a história mais
velha do mundo
disse tim bernardes
querem aproximar
fanopeias
esquecem que eu sou
à prova de sonhos
consulto o dicionário
leio essas palavras
como se a falta da
vírgula
mudasse o ser do
meu
teu
verbo selecionado
a costura não encontra
mais o toque e a
rima que pausa
um
verso
do
outro
deixa
a minha mão
áspera.
Mergulhar na Pele, Desoxidar a Língua (p.39)
MUKAI (I) ( Ana Paula Tavares )
Corpo já lavrado
É SEMPRE À NOITE ( Ana Paula Tavares )
É sempre à noite que mais dói




















