O veredicto ?
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
27/06/2025
INOCÊNCIA ( Cibele Camargo )
AZUL (Cibele Camargo, in "A Vida Além da Sua)
Mistura-se em mim
LIMITE ( Edgardo Xavier, in "Corpo de Abrigo" )
Salga-me a boca
26/06/2025
NÃO QUERO TER VOCÊ ( Rupi Kaur )
24/06/2025
GAZELA DO AMOR IMPREVISTO ( Frederico García Lorca )
Ninguém compreendia o aroma
I (Mayra Oyuela )
Toda nudez é medíocre se se está só,
23/06/2025
TODO O MEU DESEJO ( Rosalía Rodríguez Pombo )
Um espaço livre. Preencho-o de palavras. Piscadas. Chuva. Filmes.
Onde estás? Não te vejo.
22/06/2025
ARREITADA DONZELA EM FOFO LEITO (Manuel Maria Barbosa du Bocage)
Arreitada donzela em fofo leito
20/06/2025
PROTUBERÂNCIA ( Ana Cristina Cesar) in “Poética“. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
Este sorriso que muitos chamam de boca
INSCRIÇÃO ESTIVAL( David Mourão Ferreira )
Ó grande plenitude!
FLORBELA EM CANTO ( Renata Bomfim )
Para a Soror Saudade
No claustro, o silêncio ensurdece.
Fado? A alma resiste e canta.
Da mouraria chegam ecos de vozes distantes.
Torres de marfim e vitrais formam
paços adornados com lágrimas e cristais,
gotas brilhantes que correm pela face das monjas
e são, caprichosamente, colhidas
pelas mulheres e por homens que versejam em Portugal.
Ouço dizer de Princesas ornadas.
De virgens pálidas e febris
refletidas em vitrais espetaculares.
Seus sexos são cobertos por violetas maceradas
que perfumam e inebriam os pensamentos,
desviando os caminhos de quem passa.
Seus sonhos sensuais aquecem o frio das celas de ouro.
A simplicidade de seus gestos contrasta com
o tesouro: pérolas e jades que saem de suas bocas
rosadas.
- Oh! Roseirais e lírios que perfumam os campos!
- Oh! Árvores que guardam os ninhos dos rouxinóis,
levem este canto, espalhem este odor e retornem plenos.
Tudo o que vejo é santo, é vivo, causa espanto:
O universo, o caos, a beleza...
- Astros dispersos iluminam verbos e letras e inquietam
amantes que nunca se tocaram, e despertam na
VIVA O AMOR ( Renata Bomfim )

E em que furor sagrado
celebremos o amor!
amo-te, sim,
e não é de hoje.
amor insólito,
estrambótico,
enviesado, esse meu.
ele faz com que eu veja coisas
que não existem,
imagine realidades loucas.
amor doente.
(sim, o amor pode ter febres),
amor ardente,
as vezes al dente,
pois, te devoro
até não sobrar haveres.
amor estropiado
pirado, maltratado,
as vezes, o último na lista.
mas, não culpemos o amor
viva o amor de casca fina,
verde e azedinho como um kiwi.
viva o amor cantado em verso e prosa
que adoça a minha boca
e amarga da garganta aos rins.
viva o amor!
viva, viva,
sempre!
EUS (Renata Bomfim )
Meus duplos
querem tudo!
O doce e o azedo
devorada
reduzida.
Eus de mim que não
se entendem e se deixam possuir.
Camadas de peles nuas
peles por sobre os pêlos
suores e agonias.
Saudades da unidade perdida
Eu, ovo,
Ova
guardada no saco
do escroto,
balizada n'água da bacia,
purificada
dos pecados dos outros!
O PRAZER DE SALOMÉ ( Renata Bomfim )
Ao poeta Antônio Miranda
A pureza, que coisa mais obscena!
Depois de dançar
Ao som da lira negra,
A réptil inviolada
Fez amor pela primeira vez.
Seu corpo era todo um jardim
Recém- nascido da paleta de Moreau.
Dos seus seios fatais brotavam
Safiras, ágatas, pérolas e rubis.
Salomé trazia no sangue a fúria
De Herodíade,
E a morte nos olhos de prata.
Naquela noite
Feita de angústias estéreis
(e solitárias),
Dois homens perderam
A cabeça.
SANHAS DE DEUSAS ( Nazaré Machado )
Quero ser tua
SITIADA ( Carmen Borda )
por milhares de palavras
que rondam minha cama
meu quarto
minha casa
me espreitam
com milhares de olhos brilhantes
no meio da noite
se alinham escrevendo poemas
tentando conquistar-me
mas sei
que me aprisionam
com suaves correntes
impossíveis de romper
e pelas noites
acorrentada
me arrasto até a janela
e comprovo
que desde o infinito
também
despencam palavras
19/06/2025
REENTRÂNCIAS ( Zainne Lima da Silva )
amar as mãos e os pés do homem negro












