Esta noite a Lua é prata
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
21/11/2025
SOBRE O DIA EM QUE A LUA EMUDECEU (Jade Luísa )
QUANDO A MARESIA COCHICHA VELHAS ANGÚSTIAS (Jade Luísa)
Perdoe o medo do mar, meu bem,
SOBRE MULHER GIGANTE AO DESCOBRIR AS GUELRAS (Jade Luísa)
Eu navego mas não como marinheiro
CONFESSO DEVANEAR-ME NOS SEUS DENTES ( Jade Luísa )
Então você olha pras minhas maçãs
ECO DE LUSCO-FUSCO (Jade Luísa ) in O olho Esquerdo da Lua; Penalux, 2021.
Escuto a água arranhando o vidro
VI (Jade Luísa ) in O olho Esquerdo da Lua; Penalux, 2021.
V ( Jade Luísa ) in O olho Esquerdo da Lua; Penalux, 2021.
Enquanto te chupo me vêm instantes do que seria o morrer.
(Hilda Hilst)
um par de dedos explora a buceta
viela-vereda-ruína
VIGÉSIMA QUARTA ( Clara Baccarin )
na terceira vez que te vi
não entendi
o que eu estava fazendo ali
fiquei sem intenção
pousando o peso
dos meus ombros
na sexta vez que te vi
eu quis fugir
quis abrir a porta
para você sair
não queria que você
chegasse muito perto
e deixasse o peso da sua perna
encontrando encaixe
na décima oitava vez que te vi
me abri
para os seus oceanos
extravasarem
em minha carne
sedenta
absorvi a voracidade
da sua vontade
na vigésima quarta vez que te vi
rompi os mundos e
entendi
Por Tjiske Jansen ( tradução: Maria Leonor Raven-Gomes )
Para os anos dele
20/11/2025
RISCOS ( Ester Naomi Perquin )
O nosso quarto habitual. As paredes erguem-se tal qual
COM UNHAS E DENTES ( Luis Filipe Parrado )
Estar vivo
SÍSIFO ( Miguel Torga )
Recomeça…
QUALQUER DIA ( Ivan Lins / Vitor Martins )
Nessa calma sertaneja
JOANA DOS BARCOS ( BEIRA-MAR ) ( Ivan Lins / Vitor Martins)
Joana sonhou
Por Danielle Tosta
A memória das minhas ancestrais
faz minhas raízes balançarem
na cadência do navio negreiro, sinto o enjoo
que nelas embrulharam o estômago
mas desde lá, Iemanjá preparava o caminho
Quando eu andar, que a fluidez
da água que um dia afogou-acolheu os meus
me direcione para ocupar espaços
que antes os que se acham donos de tudo
ousaram um dia me destituir
Que na engenharia que tudo constrói
eu deságue a oferta dos meus sacrifícios
como forma de inspirar, iluminar como farol
que conduz a embarcação, para que não se perca
na enxurrada do medo de naufragar
E se um dia a água que me conduz faltar,
que meu pranto regue o chão
e que d’Ele brote a força
para as que virão depois de nós.
RIO CRESCENTE ( Danielle Tosta )
Fio que pulsa e cresce,
Vigor de uma vida inteira,
Com a força que só a calma empresta.
Assim, nasce o rio e corre ligeiro
Para a frente, sem jamais voltar.
Carrega em suas águas a lição
Que das margens pôde aprender,
E ensina, na contínua vazão,
Que não se toca a água que se foi
Nem duas vezes o mesmo fluir
Que busca a imensidão do mar.
MANSIDÃO ( Danielle Tosta )
Caminho manso
Como caçador que
Não se apressa,
Com a paciência da terra
Que esconde e germina
A pequena semente da mostarda:
Sabendo, no silêncio do chão,
A grandeza do que há de brotar.
PALAVRAS ( Alice Vieira )
Sempre amei por palavras muito mais
do que devia
Por Alice Vieira
Às vezes uma palavra bastava
AS ROMÃS DE NOVEMBRO ( Alice Vieira )
abriste a porta e disseste que
Por Célia Moura, in "Terra de Lavra."
Adormecem mamilos gretados
19/11/2025
À POETISA REBELDE (Ariane Viana)Em memória de Hilda Hilst
I
ínfimo
II
III




















