Não creio que amar desejosamente seja privilégio da juventude ou próprio dela.
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
05/05/2025
FOME ( Sílvia Maria Ribeiro )
Gilka Machado. In: "Mulher Nua", 1922.
Amo o Inverno assim triste, assim sombrio,
Por Hilda Hilst
É rígido e mata
É pai, filho e passarinho.
H – ( Andrea de Barros )
Tenho andado mais atenta aos corredores.
Talvez… depende… quase… provável…
Estou viva no surdo estalido antes da explosão.
ODE À SIRIRICA ( Sonia Nabarrete )
No ritmo, tempo e intensidade desejados
Por Florbela Espanca
Até agora eu não me conhecia.
Por Hilda Hilst
É meu este poema ou é de outra?
04/05/2025
LÍLIA TAVARES, in Nas Mãos A Sede Dos Pássaros

Há mulheres que deixaram a natureza entregue
LÍLIA TAVARES, in Nas Mãos A Sede Dos Pássaros
Há mulheres que esperam cravadas numa
LÍLIA TAVARES, in Nas Mãos A Sede Dos Pássaros
Elas escrevem.
Lília Tavares, in Nas Mãos A Sede Dos Pássaros
Há mulheres que, ávidas,
02/05/2025
Por Célia Moura

Este amor que me rasga
AINDA QUE SEJA PRIMAVERA ( Girlene Verly )
o meu corpo e o seu corpo
CORPO CÊNICO ( Girlene Verly )
em cena
01/05/2025
MEU QUINTANA ( Manuel Bandeira )
Meu Quintana, os teus cantares
BRISA ( Manuel Bandeira ) in Belo, Belo; 1948
Vamos viver no Nordeste, Anarina.
O VINHO DE HEBE ( Raimundo Correia )
Quando do Olimpo nos festins surgia
DESDÉM ( Florbela Espanca )
Andas dum lado pro outro
PRELÚDIOS-INTENSOS PARA OS DESMEMORIADOS DO AMOR (Hilda Hilst) in Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão
I
Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me agora, antes
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.
II
Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.
Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.
Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.
III
Contente. Contente do instante
Da ressurreição, das insônias heróicas
Contente da assombrada canção
Que no meu peito agora se entrelaça.
Sabes? O fogo iluminou a casa.
E sobre a claridade do capim
Um expandir-se de asa, um trinado
Uma garganta aguda, vitoriosa.
Desde sempre em mim. Desde
Sempre estiveste. Nas arcadas do Tempo
Nas ermas biografias, neste adro solar
No meu mudo momento
Desde sempre, amor, redescoberto em mim.
IV
Que boca há de roer o tempo? Que rosto
Há de chegar depois do meu? Quantas vezes
O tule do meu sopro há de pousar
Sobre a brancura fremente do teu dorso?
Atravessaremos juntos as grandes espirais
A artéria estendida do silêncio, o vão
O patamar do tempo?
Quantas vezes dirás: vida, vésper, magna-marinha
E quantas vezes direi: és meu. E as distendidas
Tardes, as largas luas, as madrugadas agônicas
Sem poder tocar-te. Quantas vezes, amor
Uma nova vertente há de nascer em ti
E quantas vezes em mim há de morrer.
PORQUE TE AMO ( Joaquim Pessoa )
E eu estou perto de ti porque te amo.
(Joaquim Pessoa, in "Os Olhos de Isa")
MARIA AFONSO, in CORPO IRREPETÍVEL
desce desse filamento astral e vem




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