Todos os dias,
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
01/05/2026
MARINHA (Rita Santana)
SOSSEGUE CORAÇÃO ( Paulo Leminski )
sossegue coração
Por Lília Tavares, in Casa de Conchas; Modocromia Editora, 2022
Não me sobra tempo para anoitecer
agora que a poeira do coração rasgado
se quebra nas esquinas e se demora.
A que sabem as horas em que não estás?
Há muito deixei líquida a minha boca
a morder a noite no teu peito.
Sinto sede sede sede.
Parto para qualquer país onde não exista.
Por Lília Tavares, in Casa de Conchas; Modocromia Editora, 2022
Escreve ainda o teu nome na minha mão.
Se um dia a juventude voltasse,
libertava-me do que não faz falta ao luar,
convocava a tua e a minha pele para a luz.
Sobre as ervas não lamento estar só.
É de flores o corpo semente água
seiva taça uvas mares apelo
seio rebentação ternura inacabada.
Aquieto-me sedenta, ergo-me sôfrega
e espero a água da tua boca, céu
de anis estrelado que me condena
à sede eterna de todos os bálsamos.
CABELOS BRANCOS ( Lília Tavares ) in Casa de Conchas; Modocromia Editora, 2022
Mãe, nunca te vi de cabelos brancos,
nem a tristeza do rosto que subia aos lábios
quando me incitavas a ler para ti
o cântico dos cânticos, como se fora um conto de fadas.
A tua solidão não conhecia as letras
nem a tua estrela ocultava a pureza das coisas.
Só salomão tinha escrito trovas à sensual sulamita.
Dela cantou os seios como cachos de uvas, os beijos,
a cintura, os cabelos, a pele suavizada por óleos.
Mãe, há muito que o leito era só teu,
ignorada na nudez, não te viram a dor,
a brancura das mãos, o sonho, o vento.
AVE ( Lília Tavares ) in Casa de Conchas; Modocromia Editora, 2022
Marés e instantes de prata despertam as gaivotas.
No mar espremeram frutos, que têm sabor a noite.
Brancas de tanto conterem o vento nas plumas
encontram nas manhãs a escrita das ondas.
Sem pontos.
É no amor verde da água que o desvario se prolonga.
Sem metáforas.
Sem as correntes da rima cativa, sou ave.
SANTA CATARINA – I ( Lília Tavares ) in Casa de Conchas; Modocromia Editora, 2022
É estranha esta terra de árvores altas
que choram através das bagas em setembro.
Caminho pela azinhaga paralela ao mar,
com passos estugados e a mala pesada da escola
e da vida. Sou menina de doze anos, quase treze.
O portão enferrujado da quinta está escancarado.
Parece lunar a casa de portas violentadas em plena luz.
Escuro e de paredes em madeira, o que resta
da biblioteca arrepia-me os sentidos.
Prometo voltar. E corro. Guardo tudo em mim.
É fascinante a água nos lábios das crianças.
À SOMBRA DO SAL – II ( Lília Tavares ) in Casa de Conchas; Modocromia Editora, 2022
Contigo escutei os gritos das gaivotas no rochedo
maior, naquela que era a rainha das escarpas da praia
verde. Choravas.
Porque gemiam areias na solidão que mordias e os
homens voltavam nos barcos e pescavam a morte
como peixes sombrios.
Sobre o timbre dos ventos falaste em verso nas
janelas da noite em que o arvoredo se curvava sobre
as canções do mar
SUAVES AS MULHERES I ( Lília Tavares ) in A Timidez das Árvores (Col. Mãos de Semear- 1; ModoCromia, 2020; 2ª ed, 2021)
Suaves as mulheres
O AVESSO DOS OLHOS ( Lília Tavares ) A Luís Miguel Nava in memoriam
A janela da noite abre-se aos sonhos
Por Lília Tavares ( a Maria Teresa Horta )
Que tumulto é este, que inquietude salta
DIO ZÂMBI ( Rafael Alterio & Celso Viáfora )
Sinherê, quem vem de lá! axé zâmbi, quem vai daqui!
30/04/2026
EM CASA SOZINHA ( Diva Cunha )
29/04/2026
CONCHA PARTIDA (Anne Morrow Lindbergh ) in O Unicórnio e Outros Poemas
Não procures mais a concha perfeita, a forma
Por Rupi Kaur, in O Que O Sol Faz Com As Flores
tentei fugir tantas vezes mas
Por Rupi Kaur, in Outros Jeitos de Usar a Boca
ele pergunta o que eu faço
TARDE ( Milton Nascimento & Márcio Borges )
Das sombras quero voltar
O TEMPO SECA A BELEZA ( Cecília Meireles ) in Retrato Natural
SE TE ABAIXASSES ( Cecília Meireles ) in Poemas, 1947
LUA ADVERSA ( Cecília Meireles ) in Vaga Música
PERSONAGEM ( Cecília Meireles ) in Viagem
DUAS CONTAS ( Garoto, Aníbal Augusto Sardinha )
Teus olhos
Por Cecília Meireles, in Retrato Natural
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo.
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo.
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te digo...
SÍTIO III ( trecho )( Neide Archanjo ) In Todas as Horas e Antes – Poesia Reunida A Girafa, São Paulo, 2004
28/04/2026
VIOLINO - MARINHO ( Patrícia Hoffmann ) In blog Espólio do Sol
A infância coleciona
Por Lílian Maial in www.lilianmaial.com
Quero um homem que me conheça,















