15/06/2025

CANTO DE NASCIMENTO ( Ana Paula Tavares )

 Aceso está o fogo

prontas as mãos

o dia parou a sua lenta marcha
de mergulhar na noite.

As mãos criam na água
uma pele nova

panos brancos
uma panela a ferver
mais a faca de cortar

Uma dor fina
a marcar os intervalos de tempo
vinte cabaças deleite
que o vento trabalha manteiga

a lua pousada na pedra de afiar

Uma mulher oferece à noite
o silêncio aberto
de um grito
sem som nem gesto
apenas o silêncio aberto assim ao grito
solto ao intervalo das lágrimas

As velhas desfiam uma lenta memória
que acende a noite de palavras
depois aquecem as mãos de semear fogueiras

Uma mulher arde
no fogo de uma dor fria
igual a todas as dores
maior que todas as dores.

Esta mulher arde
no meio da noite perdida
colhendo o rio
enquanto as crianças dormem

seus pequenos sonhos de leite.

CAPELA ( Ana Paula Jardim )

 Os fiéis das capelas hospitalares não rezam da mesma maneira

Que os canónicos. Normais
Não vestem fatos de domingo para a missa
E usam chinelos de quarto
De pano
Ao xadrez
Dizem o Credo sentados sem muita convicção
Com a cabeça curvada
Cabisbaixa e conformada
Comungam todos em fila
Como autómatos
Ficam com a hóstia na ponta da língua
Que mastigam e engolem à espera da salvação
Recitam o Pai-Nosso com as palavras entaladas na garganta
Como uma cantilena gasta e sem milagres
Benzem-se muitas vezes à saída com medo de não voltar a entrar
Vivos.

ENFERMARIA ( Ana Paula Jardim )

 Aquela mulher ferida no tronco na enfermaria

Sentada
Braços caídos. Desistentes
Despida. Exposta
Seios flácidos
Sugados pela vida
Olhar fixo. Indiferente
Como uma escultura decadente
Que no fim do caminho somos só carne mastigada numa trituradora
Aquela mulher ferida no tronco na enfermaria
No meio de armários metálicos
Cheios de instrumentos para cortar a dor
Um cheiro intenso a éter a adormecer os sentidos
E muitas seringas em frascos
Desembaladas
Em nós
Aquela mulher ferida no tronco na enfermaria
De cabelos brancos
Desalinhados
Com o rosto e as entranhas enrugadas na pele
E as palavras todas recolhidas
Secas. Por dentro
Já não diz nada
Que no fim do caminho só resta o silêncio e o vocabulário fica gasto
Por baixo da língua
Aquela rapariga parada no meio da enfermaria
Como uma intrusa
Repentina. Imberbe. Franzina
Com uns olhos carimbados na testa
Foge por entre os corredores
Brancos. Desinfectados
Em direcção à luz
Na entrada.

JARDINS ( Ana Paula Jardim )

 Jardins plantados em frente dos hospitais são diferentes

Germinam como pedaços de vida a florir nas janelas
Renascidos
Com quatro escadarias de tijolo largas ao redor
Ocres e esbatidas por muitos pés de gente doente
Moribunda
A passear de pijama por entre sebes e amores-perfeitos
Nos canteiros
Jardins plantados em frente dos hospitais
Têm alamedas cheias de acácias
Amarelas
Fora e dentro de portas
E cobrem pérgulas escondidas
De bancos de pedra sombrios com velhas solitárias sentadas
A tricotar memórias
De crochê
No meio de arbustos e cartas esmagadas pelo chão
Como folhas de Outono mal escritas e esquecidas

Jardins plantados em frente dos hospitais
São como templos de luz
Com muitas almas verdes internadas
Em chamas
Junto a um lago em forma de rosa-dos-ventos
Para respirar melhor
Nos jardins plantados em frente dos hospitais
moram tiranos e sábios bíblicos
Operários analfabetos e salvadores de bata branca
E ouve-se o som de cavaleiros templários
Com rodas
Com uma cruz ao peito e uma sirene nas mãos
A ressuscitar pessoas em volantes
Nos jardins em frente dos hospitais
Escutou-se a tua morte numa tarde de Agosto
Quente.

REQUIEM ( Ana Paula Jardim )

 Por muitas estradas que se percorram

No fim, só resta um corredor
Comprido
Com um chão de mármore de sentido único
Numa casa que não é a nossa
Por muitos corpos que se amem
E se tomem de assalto
No fim, só resta um espectro
Demente
Com as calças subidas
Largas
E o cinto apertado fora do lugar
Sem memória
A caminhar para a saída
De costas
A sair de cena
Por muitos lugares e rostos que se leiam
Com as pupilas dilatadas e vorazes
No fim, restam só uns olhos esvaziados
Cansados
Que olham para mim
Ausentes
Sem me reconhecer.

BÍLIS ( Ana Paula Jardim )

 A ti, poeta apátrida

Analfabeto
Que regurgitas versos épicos escritos nas entranhas
Como pedras
Que não leste em lado nenhum e te sobem pelo esófago
Como bílis ácida
E te deixam dobrado com uma dor aguda
A ti, artista que vês o mundo com olhos daltónicos
Perturbados
Em janelas cegas
Como um cativeiro
Com vidros confinados e sem cor
E pintas o cheiro dos pessegueiros das hortas em frente
Que crescem como fruta madura dentro da tua boca
E pincelas como tinta
A ti, condor de asas feridas no cimo das montanhas
Que foste derrubado em pleno voo
E ficas caído num silêncio majestoso
Nómada nos céus esquecido
Atropelado
A ti, mulher inteira e justa
Antígona traída
Andorinha emparedada num Inverno eterno
Sem bando nem destino a Sul
Sem Primavera
Eu vos invoco e canto
Seres de todos os desterros
Banidos
Ícaros queimados por todas as utopias
Derrotados
Sal das minhas lágrimas.

PUNÇÃO LOMBAR ( Ana Paula Jardim )

 Quando as ideias se embrulham todas dentro de ti

Como um gigantesco comício
Cheio de megafones
De frases que berram aos teus ouvidos
E te provocam uma encefalite
Feita de odes medicinais com versos decassílabos que ainda não escreveste
Que circulam dentro de ti
Na corrente sanguínea
Como glóbulos brancos
Em demasia
E que extrais como líquido
Numa biópsia
Para análise.

CARDIOLOGIA ( Ana Paula Jardim )

 Deixei o meu coração a pulsar entre os teus dedos

Acordei dentro dele a meio da noite
Disparado
Cheia de extra-sístoles ventriculares
E uma arritmia galopante
Ficaste debruçado sobre mim
A sossegar-me contra o teu peito
A escrevê-lo num electrocardiograma na palma das tuas mãos
Em traçado quadricular
Com linhas verticais e horizontais
E eléctrodos no meu tórax
A registar ondas, intervalos e variações
E um ritmo sinusal descoordenado
Que ias lendo num gráfico natural
Cheio de impulsos eléctricos
E possíveis patologias futuras
A prevenir entupimentos de artérias ou enfarte do miocárdio
Pelo amor.

AMBULÂNCIA ( Ana Paula Jardim )

 Talvez o Homem seja apenas uma sombra

Em paragem cardiorrespiratória
Transportada por um Deus sem carta de condução
Dentro de um carro do exército sem desfibrilhador
Ou reanimação possível
Aquiles sinistrado de calcanhar ferido
Enfurecido
Édipo coxo e trespassado
Cego
Pátroclo caído
Heitor vencido e arrastado
Ulisses mutilado amarrado num poste
Preso para sempre no canto das sereias
Sem regresso nem Ítaca.

14/06/2025

Célia Moura, in "Enquanto Sangram As Rosas..." - 2010

 Chamo-te hoje

Porque pensar-te
É a lâmina mais feroz.
Êxtase de te revelar segredos
E te acolher no ventre, ó vagabundo
Entre o pranto e o anoitecer
Estremecendo vagas de solidão em aguaceiros de poesia.
Ó desconhecido de todos os desalentos
Escancarando vida no umbral da porta
Imaginei-te somente!
E, guardiã da tristeza intrínseca
Baptizei-te alento
Prenúncio de temporal.
Grito-te ainda
Porque o silêncio a bailar entre risonhos girassóis
É o tempo mais sublime
Ânsia de nossos corpos esculpidos
Num sopro de infinito.

13/06/2025

IV (Trovas de Muito Amor Para Um Amado Senhor - Hilda Hilst)

 Convém amar

O amor a rosa
E a mim que sou
Moça e formosa
Aos vossos olhos
E poderosa
Porque vos amo
Mais do que a mim.

Convém amar
Ainda que seja
Por um momento:
Brisa leve a
Princípio e seu

Breve momento
Também é jeito
De ser, do tempo.

Porque ai senhor
A vida é pouca:
Um bater de asa
Um só caminho
Da minha à vossa
Casa.

E depois, nada.

11/06/2025

FRAGILIDADE ( Maria F. Roldão )

 No cesto das conquistas

coloco ovos de luz e ébano.
As dores bem arrumadas ao centro
e à volta o cansaço, em calibre mais pequeno.
No cimo, ervas de respostas,
em jeito de resguardo,
evitando que o pulso dispare outra vez.
 
Disponho camadas de ócio:
ferro das manhãs quezilentas.
Um papel vegetal de prudência.
 
E na asa tantos destemperos
que a mão mal consegue unir-se,
tão febril e trémula. Cheia de pavor
d’estilhaçar a vida.

09/06/2025

Por Layse de Araújo

Tuas mãos, teu quase

Ser mulher, ser eu,
Me conhecer

Pelos caminhos inventados,
Percursos deste corpo,
Um mergulho cego,

Impreciso nascer
Que brota intuitivo.

As mãos que são tuas
Não podem me tocar,

Não conhecem em tato
A espessura mais íntima
De minha pele.

Em tua fantasia
- que já não sei se é tão tua,
Ou bem mais minha

Me dissolvo, me afogo,
Sempre em mim
Pelos teus olhos,

Me esvazio dos líquidos
Que escorrem,
dou-te o mel que necessitas.

Te alimento, profana
E tu também me alimentas
Mas são minhas as mãos

Que me tocam
E é também minha

A boca que está ao alcance
De beber, beber de mim

Do meu sangue, das minhas águas,
do meu interior, deste meu gozo.

Coisa que pulsa e anseia
o toque físico da
realidade de todas as
coisas.

O que é este conto nosso,
amor meu?

Coisa sustentável,
interior porque é para dentro

irreal porque corrompe
o ritmo banal do lado de fora,
do correr da vida.

Tudo é confuso nessa fusão
entre imaginação e realidade.

Quisera amar-te menos.

Mas este amor que cresce
Nutre-se e fortalece-se
com o passar dos dias.

Cuida-te, amor meu!
Nosso tempo é um
quase não-tempo,

Quem medirá este romper
de todas as coisas
que não se abrandam
para não morrer?

ÁGUAS VIVAS ( Renata de Castro )

 Tua saliva

Eu também toda líquida
Em alquímica experiência
Entre meu secreto e tua língua

E me transmuta em oceano

Do abissal de cada canto
Queimam tua boca mística

Reluzentes águas-vivas.

MINGUANTE ( Renata de Castro )

 Da ampulheta em meu ventre

granula areia
Escorre finito ciclo
pelo sangue que se escassa.

A láctea lua cheia
agora míngua
seca
na desertificação da pele

ainda terra.

Vida outra é.

Aflorada
não frutifica

Estriada,
em profundas ramificações,
se enraíza.

LILITH ( Renata de Castro )

 A serpente

envolta no pulso
sibila
voluptuosos encantamentos

Sinto
o sinuoso movimento
a cócega da língua
que vibra

O ventre se entrega
ao ritmo do arrastar
do corpo frio
da escamosa carne

Serpe escorregadia
passeia
por minha pele
Vadia


PERMUTA ( SÉRIE DESEJO ) ( Flávia Andrade )

 um rosto que irrompe a madrugada

memórias do corpo invasivas
Mas teu escândalo vem
aquela brecha aberta fere
a sua memória dolorida
O não sido que me era obrigatório
teu dentro é meu óbvio desejo fundo
o mais desejo
abri-te eu
Por outros poros
teria percorrido de volta todo aquele caminho a pé
E o da sua sala até seu quarto
decorar passos e textura do chão
e da subida da sua cama
o caminho leve da sua mão dentro da minha blusa naquela noite fria
trajeto óbvio que foi e continua sendo
aquele que te empurra fundo
pra dentro de um espaço meu
que tem o espaço guardado seu
que ainda farei troca
me darei em permuta
Pra um caminho que desde rosa
Te é e te espera
a única dor dessa pele nesse afeto que vem
Vai ser a da tua volta


INGESTÃO E CONTACTO ( Madalena de Castro Campos )

 Poderia perguntar, além disso,

quantas palavras seriam necessárias
para rasurar uma palavra,
quantas, quais e com que prazo de validade.
Qual o procedimento, estratégia ou artifício,
que lhe permitiria detê-las antes que jorro
lhe empapasse a boca. Cuspia as que podia,
mas alguma coisa por detrás da garganta
lhe alimentava a língua, solta e descontrolada
como uma mangueira de incêndio.
Álcool sobre as chamas, gasolina,
em golfadas fundas que ameaçavam,
via, sepultar o mundo sob o seu peso.
Tentava evitá-las. Retinha a respiração,
premia as mãos contra a cova da boca, mas
era inútil, jorravam-lhe como de uma ferida aberta.
E ainda que soubesse controlar-se,
à sua volta havia
mais bocas do que aquelas que conseguia calar.
Multiplicavam-se. Na rua, nos livros, nos ecrãs,
num débito verbal que ultrapassava tudo
o que algum dia pudessem ter tido para dizer.
Bocas velhas,
novas, brancas, negras, de machos, de fêmeas,
de todas as formas, de todas as línguas.
Bocas virgens,
bocas penetradas, bocas pervertidas,
cínicas, ingénuas, generosas, bocas, bocas, bocas.
Há muito que, de facto,
esmagadas por um peso que as sufocava,
as coisas se afundavam sob tantas palavras.
Por vezes procurava-as. Era em vão.
Talvez, se cosesse a boca, como quem cose a vulva
para não parir o filho do ventre,
a sua, a das outras, a de todas, a de todos,
a humanidade inteira
numa censura prévia e sem piedade.
Talvez, se arrancasse o nome às coisas, como quem
retira a roupa para expor a carne, crua mas concreta,
ou raspa da pele o pó acumulado pelos anos.
Talvez, se os objectos se revoltassem, como cavalo
que rejeita a rédea, talvez, talvez, talvez
tivéssemos direito a um pouco de realidade.

João Paulo Cotrim, in Navalha no Olho, 2020.

 não encontro 

melhor elogio
da sólida solidão
do que esse teu
dedo médio
despido de anéis
antena em busca
da interrogação
perdida algures
no cerne

se a navalha desaparece
é para te encontrar
nos meus olhos

08/06/2025

BALADA DO REI DAS SEREIAS ( Manuel Bandeira )

 O rei atirou

Seu anel ao mar
E disse às sereias:
- Ide-o lá buscar,
Que se o não trouxerdes
Virareis espuma
Das ondas do mar!

Foram as sereias,
Não tardou, voltaram
Com o perdido anel
Maldito o capricho
De rei tão cruel!

O rei atirou
Grãos de arroz ao mar
E disse às sereias:
- Ide-os lá buscar,
Que se os não trouxerdes
Virareis espuma
Das ondas do mar!

Foram as sereias
Não tardou, voltaram,
Não faltava um grão.
Maldito capricho
De mau coração!

O rei atirou
Sua filha ao mar
E disse às sereias:
- Ide-a lá buscar,
Que se a não trouxerdes
Virareis espuma
Das ondas do mar!

Foram as sereias
Quem as viu voltar?
Não voltaram nunca!
Viraram espuma
Das ondas do mar.


 

by Célia Moura

 Não, já não é a saudade,

muito menos seiva em ebulição
nos corpos famintos de lascívia e dor!
Não, já não sabe sequer a paixão
esse teu ventre enlaçado ao meu
como se fôssemos magníficas obras de Rodin.
Belas são as fontes e os cânticos dos rouxinóis
rasgando madrugadas!
Não, já nem sequer é cansaço esta espera de nós
vibrando “la vie en rose” pelas ruas debruadas a silêncio
licor, mel e vinho
porque todos os cansaços se extinguiram
tal como doces eram os néctares e as telas dos poetas
em promessas vãs de embriaguez.
E nós que fazemos aqui?
Nós talvez sejamos as moribundas mãos que ainda plantam sementes,
conscientes que nos sobreviverão.
Nós provavelmente seremos as ternas (eternas) crianças roendo maçãs
gargalhando, saltitando sem “eira nem beira”
ousando e dilacerando a loucura
para que Osíris nos liberte todos os gritos,
todas os mares
e derrame pétalas de orvalho
como se fossem tiaras de flores
em nossas cabeças.

07/06/2025

O VESTIDO ( Adélia Prado )

 No armário do meu quarto escondo de tempo e traça meu vestido estampado

em fundo preto.
É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas à ponta de longas hastes
delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito, meu vestido de amante.
Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, e volatiliza-se a memória guardada: eu estou no cinema e deixo
que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.

VÉUS ( Célia Moura )

Este barco à vela, navegando

Defronte à magnificência Divina
Vestindo frágeis encantamentos
Num cais incerto,
São inércias cuspindo fogo
Ao inerte ventre das estátuas nuas
Namorando antigos candelabros.

E esta exaltação no templo da paixão
De claustros suspensos
Em madrugadas de chuva douradas
Cobrindo a desfolhada dos corpos
É meu grito!

E deste grito,
Âmago de linho, inundado, desperto, sorrindo
Bebo o sangue da poesia fecundada
Em murmúrios de vinho doce
Bebo ausências prenhes de exaustão!

Revolvo encalhadas e ébrias as palavras
Em todos os escombros
No firmamento do Amor
E espero somente
O cerrar das pálpebras
Em apoteose
E quando o vento beijar hinários exaltados
À imagem dos amantes
Eis breve a celebração das exiladas rosas
Boémias valsas
Meu amor
Segredos nossos
Embalando
O remoto desassossego
Dos teus passos
Ecoando o gemido do Tempo
Pelo soalho do Destino.

Paulo Leminski sem título, do livro Distraídos Venceremos.

  o amor, esse sufoco,

agora há pouco era muito,
agora, apenas um sopro
ah, troço de louco,
corações trocando rosas,
e socos.

O AMOR O ANJO E O CÃO ( Yvette K. Centeno )

(para a Ana Maria Pereirinha, 2020)

Havia amor por ali,

uma entrega tão subtil
que não podia ser dita
cortava a respiração
só podia ser vivida
em segredo
e só de dia
quando o Anjo os protegia

Ainda assim havia a noite,
a floresta e o jardim,
um cão amigo a brincar
um céu com novas estrelas
acesas para o amor
que seria amor sem fim
(trad.: Matteo Pupillo)

UM DIA, DIZ A MULHER ( Yvette K. Centeno )

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