22/07/2024

O TEMPO DAS ESTRELAS ( Ana Luísa Amaral )

 Um compasso de espera

tão longo e musical
por estrelas destas
a tocar-me o rosto
E aprender a aceitá-las,
e eu ser um céu imenso
onde elas se pudessem passear,
encontrar uma casa,
um pequeno silêncio
de folhas,
de poeiras e cometas
Na desordem mais cósmica
das coisas,
organizar inteiro:
o coração
Porque, a tocar-me o rosto,
o tempo das estrelas
será sempre,
mesmo que tombem astros,
ou outras dimensões se lancem
em vazio,
ou raízes de luz se precipitem
no nada mais atônito
Terá valido tudo
a desordem do sol, terá valido tudo
este lugar incandescente
e azul
Porque, a tocar-me o rosto,
agora,
e em silêncio tão terreno:
paraíso de fogo:
estas estrelas
Transportadas em luz
nas tuas mãos —

Por Hilda Hilst, in Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão

 A minha Casa é guardiã do meu corpo

E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência
E minha boca se faz fonte de prata

Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água da tua boca.
A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
A uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla, argonauta
Por que recusas amor e permanência?

20/07/2024

SIMPLICIDADE ( Ana Maria Oliveira )

 A criatura humana deixa-se encantar pelo colorido da cena

Pelas personagens amorosas da sedução aparentemente plena
E distancia-se do estado de plenitude do Eu
Como união de ambiguidades
Pois somos o todo que arrasta consigo a união dos opostos
Numa erupção de vivências e incandescências
Multiplicidades de sentires e irreverências

Devíamos sentir-nos simples como a água do mar
Lamber as lágrimas salgadas num misto de dor e prazer
De quem sabe que a vida é ilusão aparência de Ser
Porque vibra uma ligação inquebrável entre os humanos
Que acontece em forma de grito de união
Porque a separação só a sente quem não dialoga com o espelho
Quem não se sente genuíno e transparente
Quem não entra em êxtase perante um pôr-do-sol esplendidamente vermelho!

 


FREIO ANIMAL ( Ana Maria Oliveira )

 Cativa de rituais em demanda irrefletida de gozo

Em descontrolo numa precisão material
Despojo-me das roupagens óbice à intimidade
E danço ao ritmo de momices num trejeito sensual
Aprisionando a tua atenção que me profetiza um travão
Libido que comanda em forma de rasgo mental
Mas desprovido de desejo concentras-te no premente
E eu fantasiadora gerada por imperativo biológico primordial
Apagas o braseiro interior num universo simples de veemência lúbrica
Envolves-me gelidamente escondendo a flama num porte colossal
Leio nos teus olhos a imagem espelhada do desregrado
Ser de outros tempos e outros mundos intacto
Criatura meiga mas sofredora e ser amado
Voluptuosa e descalça volvo as costas ao teu desapego
Permaneces num outro globo oposto do lascivo
Foge dos teus braços o esperado ardor
Desaparece momentaneamente a paixão do teu rosto
Apaga-se então a labareda do meu coração em vulcão de clamor!
E em sublime conexão isenta de qualquer mal
Provindo de outra dimensão e consciente do efémero
Tornas-te anjo platónico meu freio animal!

MEDITO SOBRE A LENTIDÃO DOS SENTIDOS ENQUANTO TUA LETRA MUDA DE LUGAR NO MEU CORPO (Anna Apolinário)

 Teus vocábulos são lobos vociferando nos vãos de minha vigília.

Negros chacais riscando sílabas em minha cintura.
Percorrendo a cordilheira encarnada de meus cabelos.
O terraço afogueado de meu ventre.
Os precipícios peçonhentos em meu púbis.
Teu letra decifra os mapas secretos,
traçados pelos meus sinais de nascença.
As sílabas matilham-se, em tocaia,
estremecendo os porões da pele,
conduzem-me ao coração do desvario,
devorando as carótidas do real.
O poema é um deus dançando jazz na algibeira do meu delírio.

LONJURA ( Mariana Artigas )

 Deixe-me amar-te

Como uma mulher,
O ar pesado
Comprime
Meus dedos
Ainda enrugados.
O cabelo molhado
Tece um rastro
Do quarto ao banheiro.
Manhãs dissipam-se
Em sonolência
Ergo as pálpebras,
E a inconsistência
Dos dias
Insiste em renascer.
Cambaleando
Entre corredores
Esparsos.
Letras escrevem
As chuvas de março,
Desejos encontram-se
No vão dos ecos
Inimagináveis.
O mistério finda
A concretização
Do desejo.
Em uma fissura ínfima,
Clausura íntima,
Pinçando frases desnudas.


DA MORTE ( Mírian Freitas )

 Quando a morte chegar a esta casa

não ameaces o silêncio com o choro convulso.

Vá até o pomar e colhe frutos

aperta entre os dentes as peras

e os figos

mentaliza todas as flores amarelas

acaricia a lágrima da ausência

deita-te sobre a relva e lembra-te dos pássaros

e do arder do vento

entre as árvores e as águas

que se repetem.

PRECE A AUÐUMBLA ( Francesca Cricelli )

 Auðumbla das divinas tetas

deusa primeva dessa latitude

que seus quatro rios de leite

abençoem os meus córregos

que nunca me falte a fonte

na curva noturna entre os

os meus bicos e os lábios dele.

Na mitologia nórdica, Auðhumbla era a vaca alimentadora, a Mãe Terra. Amamentou o deus Ímer e lambendo o sal do gelo desenterrou e deu vida a Búri.


FEBRE ( Daniela Pace Devisate )

Flores cadentes

estrelas perfumadas

Rimbaud na mente

a última serpente

de um jardim sem éden

música transparente

desmaio dócil

na bruma, na brisa branca

no leito de espuma

na nuvem de bruços

(deito e me cubro

com colcha de lírios

que pegam fogo)

febril a fronha

desfaleço e peço

água da fonte

para a minha fronte


CAMAFEU ( Daniela Pace Devisate )

 A rosa púrpura

colheu o inverno

na fenda fulva

a lua em casulo

pulsa

nenúfar de neve

a vulva

antiga jóia

antes rubra

ÊXTASE ( Daniela Pace Devisate )

 Sentia a borboleta

de asas de fogo

a esvoaçar e pousar

por entre as pernas

na rosa de carne

que principiava

a entreabrir seus lábios

de róseas pétalas

pingando mel

para que você sugasse

e minha alma

desmaiasse, debruçada

na varanda

de uma estrela cadente

porque explodiam sóis

sobre um planeta novo


BATAILLE ( Luiza Nilo Nunes )

 Repara: tudo isto é erotismo. 


A tua pele de livor e a sua lírica veloz, 

a tua boca afeiçoada 

ao gosto bíblico dos frutos, 


os teus gestos onde incide a luz legítima das aves,

os teus ombros cortejados 

pelas plumas da nudez,


o melancólico despir da tua carne nos espelhos. 


Unhas sujas, mãos falíveis, golpes 

húmidos de flancos e cabelos, 

tudo isto, meu amor, exsuda sangue 

e languidez, 


exala aromas de suor e fruta escura, 

apodrecida, 

fruta adâmica e tocada pela língua viciosa. 


É uma extrema vocação pornográfica, 

repara: 

um banho lúbrico e feroz 

de onde emerges transformada,

ardendo nua para as coisas do espírito.


De Deus, da sua face hermafrodita, 

do seu anjo palescente, do seu sexo sem pudor, 

abarcarás a luz inteira: 

tu, secreta e obscura pitonisa.

LÍLIA TAVARES, in Bailarinas De Corda, 2024

 Há mulheres que são as últimas chamas a serem sopradas

sempre que a noite entorpece os corpos.
São nas frias manhãs, a lenha para aquecer as paredes
adormecidas da casa. Desconhecem onde acorda
o calor dos seus braços que alimentam as bocas, estendem
as roupas, amassam a vida e o pão fresco com sorrisos.
Os dias não acontecem sem mulheres que têm na pele
a véspera do cio das abelhas.

18/07/2024

PASSARIM ( Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim )

 Passarim quis pousar, não deu, voou

Porque o tiro partiu mas não pegou
Passarinho, me conta, então me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Me diz o que eu faço da paixão?
Que me devora o coração..
Que me devora o coração..
Que me maltrata o coração..
Que me maltrata o coração..

E o mato que é bom, o fogo queimou
Cadê o fogo? A água apagou
E cadê a água? O boi bebeu
Cadê o amor? O gato comeu
E a cinza se espalhou
E a chuva carregou
Cadê meu amor que o vento levou?
(Passarim quis pousar, não deu, voou)

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho, me conta, então me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Cadê meu amor, minha canção?
Que me alegrava o coração..
Que me alegrava o coração..
Que iluminava o coração..
Que iluminava a escuridão..

Cadê meu caminho? A água levou
Cadê meu rastro? A chuva apagou
E a minha casa? O rio carregou
E o meu amor me abandonou
Voou, voou, voou
Voou, voou, voou
E passou o tempo e o vento levou

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho, me conta então, me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Cadê meu amor, minha canção?
Que me alegrava o coração..
Que me alegrava o coração..
Que iluminava o coração..
Que iluminava a escuridão..
E a luz da manhã? O dia queimou
Cadê o dia? Envelheceu
E a tarde caiu e o sol morreu
E de repente escureceu
E a lua, então, brilhou
Depois sumiu no breu
E ficou tão frio que amanheceu
(Passarim quis pousar, não deu, voou)
Passarim quis pousar não deu
Voou, voou, voou, voou, voou

15/07/2024

MARCIAL ( Maiara Gouveia )

 sugo

aflita e fluente 

o gosto firme do teu sexo



TURBA ( Maiara Gouveia )

Da saliva quente, o primeiro vulto.

Ao redor das omoplatas sibila o segundo.

Ascende da nuca.

 

Do baixo-ventre o terceiro pula.

Num volteio ímpar constrange a cintura.

 

No instante em que o quarto surge do artelho,

sob o frêmito, vem a turba.

 

Os olhos sucumbem nas dobras do corpo.

A língua, na frincha.

E a face turva. 



DESENCANTO ( Maiara Gouveia )

As mesmices cotidianas desmoronam

quando estamos juntos.

 

Parece que o tempo para e averigua

que cintilamos de volúpia.

 

Consumidos pela alegria de trazer à tona

um prazer legítimo

que não se repete em mil eras.

 

De repente, depois da viagem,

voltamos a nos ver entre os limites das paredes:

 

nossos corpos não vêm mais com paisagens,

ou entre nuvens de luz furta-cor e néon.

 

Já não somos deuses.


 


FETICHES ( Maiara Gouveia )

Olhos feito mãos dentro das coxas
as pupilas vibrantes entre as frestas
roçando o rendilhado branco
no meio túmido entre as pernas.

Ai, quanta deselegância
eu provocar tanto constrangimento!
mas depravada ainda sinto o grão prazer
daquele breve erguer das sobrancelhas.

SUSPIRO VERMELHO ( Maiara Gouveia )

I
Mulheres que saem da sua pele
retiram dos seios
vultos dilacerados
afogam os dedos
no fundo da carne

Mulheres que saltam dos seus poros
esvaem das veias

desfalecidas
as línguas estiradas
sob um suspiro vermelho

II
Verter amor na sede. Ferida no mar.
Cicatriz. A onda rude que me abate.
Ou não haver margem
para escapar.

Pleno deserto. Há flores de sangue.
Corolas. Mulheres líquidas
que esvaem.

DA ARTE DE SEDUZIR ( Maiara Gouveia )

EM DETALHES
perfumar o corpo jasmim
      e sândalo nos ombros nus
a cabeleira em desalinho
      se derramando a meia-taça
da peça íntima escolhida
      previamente exibe o contorno
robusto um decote preciso
      valoriza o colo e os seios
insinua o torneio das pernas
      na meia-calça cor de noite
o vestido justo elegância
      na curva dos cílios na sombra
dos olhos a prata dos brincos
      de argolas num salto a sandália
brilhando a fivela dourada
      destacando a graça singela
e espantosa dos tornozelos.

A MARCA DAS ORIGENS ( Maiara Gouveia )

Deus despeja sua ira: o Corpo.
E toda vida se abre e tudo é possível.
Você abandona sua força no meu dorso,
e a marca das origens
vem ferir suavemente minha pele que brilha.

Não sou só o corpo nem só o corpo me habita.
Sou o que move o mundo e o seu canto,
o que me faz mulher e a sua fibra masculina;
alma que ultrapassa o sonho das partículas:
penetra mais fundo para senti-la.

Deuses bárbaros povoam as costelas.
Sereias minúsculas mergulhadas na vagina.
A mágoa de deus, oceano:
borboleta verde-azul que se debate infinita.

Seus músculos, o rosto, um coágulo
peixes sob o útero: a flor carnívora.
Sou novamente o corpo e além do corpo
a alma das partículas:
— Penetra mais fundo para senti-la.

EMBEBIDA ( Maiara Gouveia )

E o nítido arranjo
dos lábios, um a um,
e o despudor de vê-los
inocentes,
desnudos num
ir e vir medonho,
embebedada duma
realidade úmida
e carnuda, a coxa nua
roça pele contra pele, o quase
encontro e desencontro
de mim dentro daquela fresta
que ora sobra, ora se insinua
num abre e fecha; as pernas
embaraçadas sob a mesa,
a sombra trêmula
dos pés no chão, o torso
dele na camisa
entreaberta, a cabeleira
em caracol evoca
a noite estrelada
em Holanda brilhante
e turbulenta,
e o deleite ainda evola
feito de um gole de absinto.

ORÁCULO DE OXUM ( Lívia Natália ) in Em Face dos Últimos Acontecimentos; Caramurê, Salvador, 2022

O Rio foi feito para se beber.
De que servem os pés
a tatear Seu fundo macio?
Tolo ante o Mistério,
a interpretar com dedos cegos
o intangível lamoso de suas palavras?

A carne do Rio é feita de esperas.
Seu profundo é ancestral.
E memória assentada na inquietude escura.
As mãos do Rio madrugam silêncios
e lambem as pernas bonitas das lavadeiras,
lavando-se no sal de sua negrura.

O Rio, se aquietado nas Lagoas,
acha caminho de Mar
mordendo o útero da terra.
Vertido em Mar,
talha as embarcações
na salmoura das correntes,
cria fantasmas na beira,
tendo comido seus nomes.

Dizem que não se mede a profundidade de um Rio
com os dois pés.

Não mesmo.

O rio foi feito para se beber
      — com o corpo.
Foto: Erika Januza fez um ensaio inspirada em Oxum.

PURA GEOMETRIA ( Marize Castro )

Dos teus olhos
brotam lampejos de metáfora.

Não me espanto.

Corro o risco
de delinear essa zona.
Pura geometria.

Inevitavelmente pincelo teus labirintos
capturo tuas utopias.
Para tanta cumplicidade
não há mais limite.

Onde retomar o desejo?
Talvez reinventando o mistério
disperso na noite
peregrino de sexos, línguas e coxas.

Pensando em ti
às vezes de mim esqueço.

Retardo todos os regressos
e me limito
a sair do páreo, pela sombra.
Dualidade de quem jamais se encontra.


A CARÍCIA PERDIDA ( Alfonsina Storni ) Tradução de Carlos Seabra

 Sai-me dos dedos a carícia sem causa,

Sai-me dos dedos No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?

Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.

A carícia perdida, andará… andará…
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.

Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?

ARDOR ( Iracema Macedo ) In Lance de Dardos. Estúdio 53, Rio de Janeiro, 2000.

Um oceano inteiro não basta
para calar no meu peito
este murmúrio
de tantas formas de ardor
tantas formas de estar banida e só
e não há terra ou chuva
que arrefeça
esta porção de mim
que trago cálida
esta porção de mim
que trago presa
este meu coração cheio de vespas

O RETORNO DE SATURNO ( Iracema Macedo ) In Lance de Dardos. Estúdio 53, Rio de Janeiro, 2000.

Saturno veio colher as romãs
brasas no pomar
Vivo nua pela casa
leio cartas, fecho as portas
Saturno me espia pelas frestas
me sussurra nomes feios
vivo cheia de varais
lampiões e pássaros acesos
Parece que estou esticada entre dois abismos
entre dois homens
entre dois vendavais
Abro a janela
encaro o deus
me vejo nos seus olhos
me vejo dentro dele
Quando é que esses olhos irão me acordar?
Quando é que irão me levar?
Quieto no seu canto
Saturno me estende a mão e um cálice
e é como se a vida chegasse
silenciosa e indolor
como os milagres

POEMA DO LOBO-DO-MAR ( Iracema Macedo ) In Lance de Dardos. Estúdio 53, Rio de Janeiro, 2000.

 Como proteger-me desse lobo que vem vindo

Em que ilhas poderei me ocultar
em que barcos ousarei fugir
desse lobo que domina os barcos e as ilhas?

Reúno roupas negras faca escudo
De que adianta enfrentá-lo do meu jeito
se ele me despe do jeito que ele quer?

Como proteger-me dessas ondas
de prazer que ele traz em suas brisas
De que vale feri-lo com meus versos
De que vale me lançar ao mar

Se não há como esconder-me de mim mesma
do exílio que sinto quando fujo
da vontade que tenho de ficar?

O SAL DA TERRA ( Eugénio de Andrade )

 Eram o sal da terra, as abelhas, 

no ar leve 
e verde das tílias. 
Iam e vinham ligeiras como se a fadiga 
lhes fosse alheia: algumas 
regressavam à colina 
onde tecem a seda da sombra; 
outras caem a prumo, 
embriagadas com a violenta 
fragância das tímidas flores 
quase apagadas. 
Basta estar atento 
à luz oblíqua para descobrir 
como a perfeição é completa deste lado 
do mundo. Mas só eu agora 
de olhos fechados sigo o seu rumor.